E a educação por cá
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Estive a ler notícias em vários jornais sobre o inquérito internacional sobre ensino e aprendizagem realizado pela OCDE, o Expresso foi o que me pareceu dar maior importância.
Logo a abrir «Portugal é dos países onde os professores gastam mais tempo a manter a ordem na sala de aula e em tarefas administrativas e menos tempo a ensinar».
No desenvolvimento: «Os primeiros resultados do estudo hoje divulgado, levado a cabo em 23 países membros daquela organização, apontam ainda a avaliação e reconhecimento do trabalho dos professores como um elemento importante para um melhor desempenho.
Os inquéritos, levados a cabo em 200 escolas de cada país durante o ano lectivo 2007/2008, permitiram concluir que, em Portugal, 75% do tempo de aula é efectivamente dedicado ao ensino, o quinto valor mais baixo entre os países analisados. Em contrapartida, é dos países onde os professores perdem mais tempo a manter a ordem na sala de aula e em tarefas administrativas.
Além disso, 69% dos professores portugueses trabalham em escolas onde os respectivos directores dizem que os distúrbios na sala de aula prejudicam a aprendizagem, processo que é afectado em 50% dos casos pelo absentismo dos estudantes.
Portugal é igualmente dos países em que um maior elevado número de professores e directores de escola diz não ter havido qualquer tipo de avaliação interna ou externa durante os cinco anos anteriores ao estudo. E quando essa avaliação é feita, o resultado mais valorizado é o número de alunos reprovados, as notas e outros aspectos, enquanto nos demais se dá em média uma importância inversa a estes critérios.
O estudo da OCDE evidencia que os professores que vêem o seu trabalho reconhecido pelos directores das escolas e pelos colegas apresentam um melhor desempenho e conclui que nível do sistema de ensino de um país não pode ser superior ao da qualidade dos professores e do seu trabalho, pelo que defende a necessidade do reforço do treino e formação dos docentes».
Este inquérito parece-me ter sido feito já com o novo sistema de avaliação dos professores a funcionar em pleno, e depois de ver tanta contestação, de ouvir as experiências de amigos e do que via, este relatório vem a dar razão em algumas reivindicações dos professores, pelo menos nas que eu também dou razão, e uma delas é tempo perdido em tarefas administrativas, penso eu que se refere ao tempo despendido para a avaliação de outros colegas (e não só, claro). Os professores têm de preparar aulas, ensinar e corrigir testes, estas são as suas funções e a estas que deveriam estar dedicados. Ainda que participem na avaliação dos colegas, aceita-se, mas ser responsáveis por toda a avaliação de um colega?
Recentemente tive uma conversa com um amigo professor numa escola particular, onde se comparavam os programas e as actividades desta com os das escolas públicas e a diferença é grande. As actividades a programar são muitas e as reuniões ultrapassam largamente o tempo de expediente e mais, têm um patrão sempre em cima, mas o trabalho de professor.
A educação é feita por pessoas e se estas faltam para outras coisas que não o ensinar e acompanhar os alunos, então, não sei o que será da próxima geração.
O resto da mensagem...
Logo a abrir «Portugal é dos países onde os professores gastam mais tempo a manter a ordem na sala de aula e em tarefas administrativas e menos tempo a ensinar».
No desenvolvimento: «Os primeiros resultados do estudo hoje divulgado, levado a cabo em 23 países membros daquela organização, apontam ainda a avaliação e reconhecimento do trabalho dos professores como um elemento importante para um melhor desempenho.
Os inquéritos, levados a cabo em 200 escolas de cada país durante o ano lectivo 2007/2008, permitiram concluir que, em Portugal, 75% do tempo de aula é efectivamente dedicado ao ensino, o quinto valor mais baixo entre os países analisados. Em contrapartida, é dos países onde os professores perdem mais tempo a manter a ordem na sala de aula e em tarefas administrativas.
Além disso, 69% dos professores portugueses trabalham em escolas onde os respectivos directores dizem que os distúrbios na sala de aula prejudicam a aprendizagem, processo que é afectado em 50% dos casos pelo absentismo dos estudantes.
Portugal é igualmente dos países em que um maior elevado número de professores e directores de escola diz não ter havido qualquer tipo de avaliação interna ou externa durante os cinco anos anteriores ao estudo. E quando essa avaliação é feita, o resultado mais valorizado é o número de alunos reprovados, as notas e outros aspectos, enquanto nos demais se dá em média uma importância inversa a estes critérios.
O estudo da OCDE evidencia que os professores que vêem o seu trabalho reconhecido pelos directores das escolas e pelos colegas apresentam um melhor desempenho e conclui que nível do sistema de ensino de um país não pode ser superior ao da qualidade dos professores e do seu trabalho, pelo que defende a necessidade do reforço do treino e formação dos docentes».
Este inquérito parece-me ter sido feito já com o novo sistema de avaliação dos professores a funcionar em pleno, e depois de ver tanta contestação, de ouvir as experiências de amigos e do que via, este relatório vem a dar razão em algumas reivindicações dos professores, pelo menos nas que eu também dou razão, e uma delas é tempo perdido em tarefas administrativas, penso eu que se refere ao tempo despendido para a avaliação de outros colegas (e não só, claro). Os professores têm de preparar aulas, ensinar e corrigir testes, estas são as suas funções e a estas que deveriam estar dedicados. Ainda que participem na avaliação dos colegas, aceita-se, mas ser responsáveis por toda a avaliação de um colega?
Recentemente tive uma conversa com um amigo professor numa escola particular, onde se comparavam os programas e as actividades desta com os das escolas públicas e a diferença é grande. As actividades a programar são muitas e as reuniões ultrapassam largamente o tempo de expediente e mais, têm um patrão sempre em cima, mas o trabalho de professor.
A educação é feita por pessoas e se estas faltam para outras coisas que não o ensinar e acompanhar os alunos, então, não sei o que será da próxima geração.



