Caminho de Finisterra
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Na Antiguidade, os Celtas e outros povos faziam uma peregrinação desde os confins da Europa, perseguindo o Sol até onde não pudessem avançar mais, onde acabava a terra, e viam o sol se esconder no mar... para depois voltar a aparecer a Oriente. Conta-se que ali existiu um altar de adoração ao Sol - o Ara Solis - construído provavelmente pelos fenícios e mandado derrubar por São Tiago quando da sua passagem pela então Gallecia. Os romanos chamaram àquele local Finis Terrae.
A notícia da descoberta de um túmulo com um corpo martirizado e a sua associação com o Apóstolo São Tiago correu a Europa. Com a transladação do corpo para Compostela, surgiu um novo centro de peregrinação, onde foram adoptados os antigos percursos das peregrinações pagãs - daí nasceram os Caminhos de Santiago.
A tradição pagã perdurou até aos dias de hoje. Ainda há gente que continua o caminho até Finisterra para tomar o banho completamente nua na praia de Langosteira para se purificar, apanhar uma vieira para mostrar que chegou ao fim do caminho, queimar a sua roupa no cabo e assistir ao pôr do Sol.
Primeira etapa - 20 de Julho
Partimos de Esgueira na madrugada da segunda-feira de carro até Santiago. Chegámos de manhã, cedinho, e fomos procurar um local seguro para estacionar os carros durante cinco dias. e se possível, de graça. Depois da tentativa frustada de colocar no parque do Hotel do Convento de São Francisco de borla, seguimos o conselho da recepcionista do hotel e estacionámos numa rua numa zona residencial atrás do mesmo. Seguimos para a Catedral.
Mal tinha terminado a manhã, a fome já apertava e logo que encontrámos um clareira no pinhal , encostámos para almoçar.
Na estrada nacional, antes de chegar a Aguapesada, cortamos à esquerda para passar por umas casas e depois entrar num pinhal onde subimos 230 metros em 2,5 km... foi duro, muito duro. Quase gastei o litro de água que tinha, mas logo na descida, há uma fonte com água fresca e uns quilómetros mais abaixo encontrámos um bar em Tramonte onde descansámos e voltámos aos refrescos. Enquanto lá estivemos, metemos conversa com o trio belga-coreana-mexicana.
Mais uns quilómetros e encontramos Ponte Maceira e o rio Tambre, onde ficámos a descansar e a refrescar os pés junto aos moinhos.
E chegámos a Negreira, onde descobrimos que o albergue público já estava cheio e decidimos procurar um local para dormir. Encontrámos o Hotel Tamara, onde nos fizeram um preço especial. Fomos depois jantar a um bar/restaurante no centro de Negreira - ir em frente ao invés de cortar à esquerda para o albergue, até ao fim do segundo quarteirão., do lado esquerdo - mas já não me lembro do nome dele... comeu-se lá muito bem e bebeu-se Ribeiro Xoven traçado.
O percurso do dia:
Segunda etapa - 21 de Julho
Tomámos o pequeno almoço no quarto e um café na cafetaria do hotel e decidimos seguir para a Picota por estrada. O normal seria seguir pelo caminho até Olveiroa, mas já prevíamos que o albergue já estivesse cheio. Além disso, só encontraríamos como alternativa uma pensão que também poderia estar cheia e era cara.
Eu fiquei para trás com o Zé e a Ana e depois de uma grande subida e de uma curva fechada, acho que na Pena ou Piaxe, encontrámos um café onde eu reforcei o pequeno almoço. Para todos, pedimos uns bocadillos com tortilla francesa (sandes com omelete, os galegos também lá chegavam) e eu pedi uma taza de leche con café (meia de leite). Lá dissemos à senhora que estávamos a pensar em dormir na Picota e ela disse logo que nos dava um contacto de uma casa, logo que acabássemos de comer. Lá tive de ser eu a fazer as marcações e depois de negociar numa mescla de espanhol, galego e português, lá consegui três quartos a bom preço, na Casa Jurjo. Vale! De acordo! Antes deste café só tínhamos encontrado uma mercearia que estava fechada...
Continuando o caminho, por estrada. Entretanto o outro grupo já tomava uma vantagem que já nem deixava haver comunicações entre os walkie-talkies. Quando conseguimos contacto, o grupo da frente esperava num café em Vilaserio. Enquanto se bebiam uns quintos (minis) e comiam-se as metades dos bocadillos que deixámos para os fugitivos, chegavam a Lisa e o companheiro. O grupo da frente tinha feito um novo amigo, o Gilbert, da França, que vinha com uma bandeira da Bretanha na mochila e caminhava desde Rennes (cerca de 1500 km).
Seguimos então novamente até encontrarmos uma estrada regional, a AC-5604, e onde acabava a que nós seguíamos e seguia uma estrada estreita. Lá estivemos a perguntar qual o melhor caminho para Maroñas... Eu ainda consegui fazer parar um carro, mas era um velho casal, talvez ingleses e ao invés de ter informações, esclareci-lhes que estavam no caminho certo para Negreira... Lá seguimos em frente, depois cortámos à direita e quando encontrámos um caminho que entroncava de direita, entramos para a bucha. Começou a chover e começaram a aparecer peregrinos no caminho onde estávamos a almoçar. Tínhamos seguido sempre por estrada e aquele era o caminho de Finisterra...
Já perto da Picota, encontramos as piscinas que já tínhamos ouvido falar, mas não era a melhor altura... molhados já estamos nós... subimos ao centro e metade do grupo parou num café onde havia Super Bock e eu e as meninas fomos directos para o hotel. Entrámos pelo bar e fomos atendidos pelo Ismael que nos conduziu para a recepção do hotel. Aí fomos atendidos pelo Jorge , o dono, preenchemos a papelada e o Jorge ofereceu-nos a secagem da roupa! Espectáculo! Enquanto eu e as meninas nos trepávamos para o banho, o Jorge trazia-nos um cesto para pormos a roupa molhada... aproveitei para pôr a de hoje e a de ontem que acabara por se molhar também. Entretanto, também esperava pelos outros meninos para lhes indicar os quartos... mas estes estavam entretidos no bar a tentar tirar cañas... e eu a querer tomar banho...
Eles lá chegaram, topei logo pela algazarra e foi tudo para o banho e pôr roupa no cesto para secar. Já sequinhos e prontinhos, fomos para o restaurante do hotel e comemos mais uns bifes de ternera (vitela) com batatas fritas, regadas com um traçadinho.... quando nos fomos deitar, vieram-nos entregar a roupinha já seca. Que bom!
O percurso do dia:
Terceira etapa - 22 de Julho
Logo que acordámos chovia bastante, mas na partida já o tempo estiara. Tomámos o pequeno almoço na cafetaria do hotel. Fomos muito bem acolhidos na Casa Jurjo e fica aqui o agradecimento ao Jorge, ao Ismael e à Yoli. Bem Hajam!
Partimos a contar ficar num albergue público em Cee ou em Corcubion. A chuva estava a sempre a ameaçar, mas estávamos prevenidos com as capas. Em pouco tempo chegámos a Olveiroa e fomos visitar o albergue público que estava cheio. Os últimos que chegaram, um casal de Madrid, já tiveram que dividir o chão da cozinha. Havia lá um café recente e fomos tomar alguma coisa. Continuamos a caminhada e passámos por Logoso, onde havia uma carrinha a vender pão. Quase a chegar a Hospital, encontrámos um parque de merendas onde o Alex fez café. Pouco tempo ficámos, pois começou a ameaçar chuva e um pouco mais à frente iríamos encontrar um café-restaurante. Chegámos ao café e ainda não era hora do amoço para os galegos e tivemos de nos contentar com um bocadillo com omelete e uma caña da Super Bock.
Chegamos à rotunda de Hospita onde o bifurca-se e surgem duas opções: Finisterra ou Muxía. Já estávamos combinados que seria Finisterra. Daqui até até voltarmos a encontrar alguma casa, já em Cee, são doze quilómetros. Só encontramos dois santuários, o primeiro, o de N. S.ra das Neves. Pouco depois de sairmos deste santuário, começou a chover bem e o vento a soprar forte. Os últimos cinco quilómetros antes de começar a descer para Cee foram os mais penosos, com o vento frio a bater de frente, e o caminho no cimo do monte... Logo depois de uma curva apertada, começa uma descida e temos uma vista do mar, de Cee e de Corcubion.
Chegamos a Cee e eu que vinha por último... reencontrei o grupo num café. á minha espera Seguimos à procura do albergue de Cee... Afinal, nem é um albergue, é uma brigo, um espaço aproveitado nos balneários das oficinas da Casa do Consello de Cee. Depois de vistas as condições, e como já estávamos mal acostumados, fomos procurar um sítio melhor para dormir. Fomos procurar e negociar e o Benú conseguiu um hotel porreiro e a bom preço. Fomos ao banho e trocar de roupa e tentar arranjar um meio de secar a roupa. Eu e o Zé ficámos no quarto para deficientes, a casa de canhjo era do tamanho do quarto. Fomos jantar ao restaurante do hotel. Comemos caldo galego, grelada mista e pizza... Depois do jantar eu, o Zé e o Alex fomos dar uma volta pela cidade...
O percurso do dia:
Quarta etapa - 23 de Julho
continua...
Álbum de fotografias:
Picos da Europa - dia 3: Senda del Cares
domingo, 21 de junho de 2009
Na sexta-feira, 12 de Junho, fomos fazer um dos percursos dos Picos: a Senda ou Ruta del Cares (PR-PNPE-3/GR-2003) de Poncebo a Caín, percurso linear de 20 km que demora cerca de cinco horas a percorrer (a ir e a voltar).O percurso era impressionante pela imponência das montanhas e pelo abismo da garganta da rio. Em Caín, descansamos com os pés na água gélida (fez mal a algumas peles que criam bolhas na volta) e estendemos a mantinha e almoçámos.
Voltámos para a nossa casinha em Mestas de Con e fizemos um lanche ajantarado com chouriço assado e ainda fomos até uma sidrería.
Sem bolhas, sin ampollas, no blisters, sans ampoulles
terça-feira, 2 de junho de 2009
Este ano, a preparação para a peregrinação a Fátima foi maior e melhor. Para além de comprar umas botas novas, fiz várias caminhadas com os grupos Àpriori e Narrota e ainda durante os dias úteis pela cidade ou só em Esgueira, e preparei os meus pés uma semana antes com cremes para evitar as bolhas. Desta vez, vou escrever apenas sobre os cremes dos pés.
Estas são algumas das causas que eu aponto para ter chegado a Fátima sem bolhas. Brevemente vou falar sobre as minhas botas novas (e as antigas também).
Eu penso que se nos metemos num "sacrifício" deste tipo, devemos passá-lo com o menor sofrimento possível e se o conseguimos evitá-lo com estas dicas simples...
Nas peregrinações do ano passado a Fátima e a Santiago, perdi muito tempo a tratar de mim, das minhas bolhas, das minhas dores, e não vivi por inteiro todos os aspectos das peregrinações. Na primeira peregrinação deste ano, não houve grandes dores nem pressas (mas ainda fiz umas corridas), houve tempo para tudo. O que me interessou foi estar ao lado de quem mais precisava e que aceitava o meu apoio, tal como alguns estiveram do meu lado, no ano passo, com as minhas dores a "puxar-me".
Fátima'2009: caminhada de preparação
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Caminhada de preparação para a peregrinação a Fátima no dia 26 de Abril, com partida em Esgueira às 8h00, e chegada prevista a Barrô pelas 14h30.
Desnível: 96m (altitudes de 7m para 103m).
Subida acumulada: 211m.
Descida acumulada: 182 m.
Fraga da Pena
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Imagens da caminhada com o grupo Arrota ao Caminho de Xisto da Benfeita, Arganil, onde visitámos a Fraga da Pena.
Fátima 2008 - Dia 2
Na sexta-feira, 2 de Maio, saímos cedinho dos Bombeiros de Cantanhede para chegar a Soure. Fomos tomar o pequeno almoço num café no centro de Cantanhede e tivemos que ajudar os empregados... erámos muitos e exigentes... uma meia de leite morna, uma galão escuro, uma torrada com pucoa manteiga...
Continámos a seguir a EN-335 até Lavariz, depois da Carapinheira, onde passámos a andar nos caminhos agrícolas dos Campos do Mondego.
Almoçámos em Alfarelos, no restaurante "O Xinfrão", e depois seguimos por caminhos agrícolas sempre ao lado do rio Arunda.
Chegados a Soure, fomos para a pensão "A Viela" para o banho, o jantar e o desncaso, porque o percurso foi longo: 40,18 Km.
O trajecto do dia:
Fátima 2008 - Dia 1
No feriado do 1º de Maio saímos da Sé de Aveiro para uma Peregrinação de quatro dias a pé a Fátima. O percurso tinha inovações, não passavámos em pela EN-109 nem pela EN-1.
Neste dia, o nosso trajecto seguiu sempre a EN-335 até Catanhede, com paragem na Mamarrosa para o almoço na sede da Adasma.
Em Cantanhede, recolhemo-nos na sede dos Bombeiros Voluntários para tomar banho, jantar (alguns de nós tinham ido comprar frangos assados e bebidas ao Intermarché) e dormir no salão polivalente. Os Bombeiros ofereceram-nos um caldo verde que soube muito bem!
O trajecto do dia:
"Caminhos alternativos são mais seguros para chegar a Fátima"
domingo, 7 de dezembro de 2008
Jornal de Notícias
9/5/2008
Reis Pinto
Para os menos avisados, aquelas setas azuis pintadas em muros ou postes de iluminação parecem mais um acto de vandalismo gratuito. No entanto, seguindo-as os peregrinos que rumam a Fátima descobrem um caminho alternativo à perigosa EN1, pleno de recantos, de lugares sem nome nos mapas, bom para uma caminhada segura.
O JN fez ontem uma pequena parte do Novo Caminho do Norte para Fátima, entrando nos Carvalhos e saindo em Lourosa, a cerca de 500 metros do local onde, anteontem, nove peregrinos foram atropelados. Trata-se de um pequeno troço da quinta etapa do caminho, que está a ser elaborado pelo Centro Nacional da Cultura, que liga a Sé do Porto a Lourosa, em Santa Maria da Feira.
A via alternativa começa um pouco antes do Colégio dos Carvalhos, na direcção de Sermonde. Por ruas onde às vezes mal cabe um carro, no meio de um verde intenso, os peregrinos vão passar, sucessivamente, por Grijó, Padrão, Loureiro de Baixo, Olivães, Goda, Ermil, Vergada (lugar da freguesia de Moselos, onde o grupo de peregrinos foi colhido), Vendas Novas e Lourosa.
Hélder Cunha, Vitor Pires e Augusto Leite são três amigos que, anteontem, saíram de Castelo de Neiva e que esperavam pela carrinha de apoio, numa paragem de autocarros, em Lourosa.
"Já faço a peregrinação há cerca de 10 anos e nunca ouvi falar de outro caminho. De vez em quando usamos uns atalhos, mas a maior parte do percurso é mesmo feita pela estrada nacional. E nunca tivemos problemas. Pelo que tenho visto, por vezes a culpa também é dos peregrinos, que caminham lado a lado pela estrada e não em fila, como é aconselhável", afirmou Augusto Leite.
O novo trajecto ainda não está completamente assinalado mas permite caminhar com segurança na maior parte do percurso de Valença e Fátima. Em sentido inverso, setas amarelas indicam desde o Santuário até Santiago de Compostela.
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